Diogo Álvares Caramuru
Um português, "homem nobre da Vila de Viana do Minho ..." (c.1475), viveu em Viana da Foz do Lima, hoje Viana do Castelo, de onde partiu para o Novo Mundo, naufragando em 1509 * na costa da Bahia, atual bairro do Rio Vermelho, quando muitos de seus companheiros foram mortos pelos índios Tupinambás. Faleceu em 1557, na Cidade do Salvador da Bahia de Todos os Santos.
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Após o massacre ocorrido, Diogo Álvares Caramuru, passou a conviver com os índios e o conhecimento adquirido dos costumes nativos, em muito contribuiu para facilitar o contato entre estes e os primeiros missionários e a administração portuguesa.
Fundou o primeiro núcleo contínuo, do colonizador europeu, onde hoje é o alto da Graça, na Cidade do Salvador da Bahia de Todos os Santos. Sua povoação, denominou-a Vila Velha, onde se estabeleceram, além de Caramuru e sua família, outros de além-mar, alguns dos quais se casaram com filhos do próprio Caramuru, fidalgo da Casa Real de D. João III, em virtude de vários serviços prestados em benefício da Colônia.
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Jerônimo de Albuquerque
No dia 10 de Março de 1534 Duarte Coelho Pereira se tornou o primeiro donatário a receber uma capitania no Brasil e de ter recebido o melhor lote da colônia, em uma zona que, alem de possuir as terras mais férteis e mais apropriadas à lavoura canavieira e ficava mais próximo de Portugal do que qualquer outra porção da costa brasileira e tinha 60 léguas de largura estendendo-se desde o Rio Igaraçu na ponta sul da Ilha de Itamaracá até a foz do Rio São Francisco.
No final de Outubro de 1534, partiu de Portugal com duas caravelas para Pernambuco tendo como acompanhante diversos lavradores pobres do norte de Portugal das províncias de Entredouro e Minho, e de vários fidalgos que entre eles se encontravam Jerônimo de Albuquerque e Vasco Fernandes de Lucena que se destacaram pelos seus decisivos serviços desenvolvido na colonização de Pernambuco e no dia de 9 de Março de 1535 a frota comandada por Duarte Coelho chegou ao seu destino contornando a Ilha de Itamaracá pelo canal sul e seguiu em direção a foz do Rio Igaraçu até ancorar em frente a velha feitoria que Cristóvão Jacques havia transferido do Rio de Janeiro em 1516 para a Ilha de Itamaracá, a sua capitania estabelecia limites com a de Pero Lopes e delimitava os antigos territórios tribais dos Caetés que eram aliados dos franceses e dos Tabajaras eventuais aliados dos portugueses, ali o donatário Duarte Coelho se estabeleceu.
Em 27 de Setembro de 1535 fundou a Vila de Cosme e Damião, cuja designação se manteve por muito tempo, pois o estabelecimento continuou sendo chamado de Igaraçu e, após estabelecer a vila o donatário, tratou de fincar um marco de pedra para demarcar o limite de sua capitania com a de Pero Lopes a nordeste de Igaraçu onde foi erguido um povoado que ficou conhecido como Sitio dos Marcos.
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Tomé de Sousa
(Rates, 1503 — 1579) foi um militar e político português, descendente de Martim Afonso Chichorro e do Rei Afonso III de Portugal, filho bastardo do prior de Rates, João de Sousa, e de Mécia Rodrigues de Faria, tendo sido o primeiro titular da comenda da Ordem de Cristo em 1517. | |||
No exército português, dentre outras importantes missões, participou de questões internacionais como a guerra contra os mouros no Marrocos e em Arzila, recebendo em recompensa, em 1535, o título de fidalgo. Tomé de Sousa foi escolhido por Dom João III para ser o primeiro governador-geral do Brasil, recebendo um Regimento para fundar, povoar e fortificar a cidade de Salvador, na capitania real da Bahia. Chegou em 29 de março de 1549, acompanhado por mais de novecentas pessoas, entre soldados, colonos a degredados, com quem veio Garcia d'Ávila. Foram recebidos pelo vianense Diogo Álvares, o Caramuru, que vivia entre os indígenas da Bahia desde 1509, fundador da primeira fixação comprovada do colonizador europeu, que se casou com uma princesa índia, batizada “Katherine du Brésil”, quando o conhecimento adquirido dos costumes nativos, durante quarenta anos, em muito contribuiu para facilitar o contato da administração portuguesa e dos primeiros missionários. Manteve-se no cargo até 1553, sucedido por Duarte da Costa. Após seu mandato como governador-geral, em 1553, retornou a Portugal onde ocupou outros importantes cargos públicos. |
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Garcia d'Ávila (1o)
“Garcia d’Ávila (c.1528 - 1609) viveu muito tempo como agricultor e criador em Rates, em Portugal e amigo de Tomé de Souza, gozava de larga estima por parte do pai deste – o Prior. De sua imaginação jamais saiu a lembrança da Vila portuguesa e tanto é assim que ao fundar sua torre dera-lhe o nome de S. Pedro de Rates.” In: BARROS, Francisco Borges de. O Castelo da Torre de Garcia d’Ávila. BAHIA. Annaes do Archivo Público BA Bahia. Volume XXIV. | |||
Chegou à Bahia em 29 de março de 1549, com Tomé de Sousa - primeiro governador geral do Brasil, sendo nomeado, no primeiro dia de junho, "feitor e almoxarife da Cidade do Salvador e da Alfândega".
Certos funcionários aceitaram cargos sem ordenado, arriscando-se a viver dos azares do negócio, tendo apenas "os prós e percalços que lhes diretamente pertencerem". Este foi o caso de Garcia d'Ávila, "criado" ou protegido de Tomé de Sousa. Como os soldos e serviços eram pagos geralmente em mercadorias e muito raramente em dinheiro, Garcia d'Ávila recebeu, em 15 de junho, seu primeiro pagamento - duas vacas, por 4$, assim começando sua longa jornada de sucesso.
Pelo esforço austero e inexcedível energia, durante a construção da Capital, Garcia d'Ávila foi recompensado com terras de Sesmarias, instalando-se inicialmente em Itapagipe, depois em Itapoã e Tatuapara, vindo a se tornar o primeiro Bandeirante do Norte.
Ao morrer, em 22 de maio de 1609, era Garcia d'Ávila o maior potentado da Colônia e, como vereador do Senado da Câmara, foi considerado uma das mais importantes individualidades políticas do seu tempo.
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Uma Dinastia de Pioneiros - Pedro Calmon
A História da Casa da Torre - Uma Dinastia de Pioneiros constituiu, em 1931, a memória oferecida por Pedro Calmon, ao Congresso realizado sob os auspícios do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, e que obteve o seguinte parecer:
"A memória do Dr. Pedro Calmon desenvolve um dos assuntos mais interessantes da história colonial do Brasil, como seja o do devassamento e povoamento do longo trecho do nosso território, que vai da Bahia aos confins do Piauí. A Casa da Torre de Garcia d'Ávila atravessou dilatado período, que começa com Tomé de Sousa, em cuja companhia veio seu instituidor, e se prolonga aos últimos dias da colônia.
Sua significação histórica deriva da preponderante influência que a progênie mamaluca de Garcia d'Ávila conseguiu exercer sobre os destinos de nossa terra. Poderosos sesmeiros, destemidos bandeirantes, os descendentes daquele povoador conquistaram e dominaram os sertões baianos e projetaram-se pelo interior com Domingos Afonso Sertão e Domingos Jorge Velho, até as margens do Parnaíba.
Essa história estava por fazer. Há meio século, precisamente, o grande mestre Capistrano de Abreu lamentava que ainda não tivesse sido escrita. A contribuição do Dr. Pedro Calmon, baseada em grande parte em documentação inédita, principalmente dos arquivos baianos, sobreleva por isso mesmo de interesse e de importância.
Aplaudindo-a, a comissão é de parecer que seja aprovada.
S. S. 28 de dezembro de 1932. - A. Tavares de Lira, presidente. - Otávio N. Brito. - Rodrigo Otávio Filho. - Félix M. P. Sampaio. - Rodolfo Garcia. - Vanderlei Pinho. - Sousa Doca. - Alfredo Ferreira Laje. - Múcio Vaz. - Alcides Bezerra. - Heloísa Alberto Tôrres. - Naíde Vasconcelos."
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A Torre de Garcia d'Ávila |
Cumprindo o Regimento de D. João III - Rei de Portugal - Garcia d'Ávila 1o construiu, em 1551, o que ele chamou de "Torre Singela de São Pedro de Rates", depois o Solar e sua Capela de Nossa Senhora da Conceição, tendo o Castelo da Torre sido concluído em 1624, por seu neto e herdeiro Francisco Dias de Avila Caramuru.
A fortaleza, conhecida como a Casa da Torre, foi registrada por João Teixeira Albernaz II no mapa referente à Capitania da Bahia, publicado no Livro que Dá Razão ao Estado do Brasil de Diogo de Campos Moreno. |
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Primeiro Sistema de Telecomunicações
A história da Casa da Torre de mais de três séculos está intimamente ligada à história das Telecomunicações no Brasil, uma vez que foi naquela Torre de Garcia d'Ávila que se estabeleceu um primeiro sistema de comunicação à distância, no país, ligando-a à primeira capital do Brasil Colônia - a Cidade do Salvador da Bahia de Todos os Santos.
Segundo registros históricos, fundada a nossa primeira capital em 1549 e construída, por Garcia d'Ávila 1o, a "Torre Singela de São Pedro de Rates", em 1551, os regimentos que eram dados aos capitães de navio que patrulhavam a costa passaram a nomear a Torre, por baliza de sua navegação.
Gabriel Soares (1584) encontrou-a "próspera e hospitaleira" e "onde navios têm boa abrigada e surgidouro"; e já em 1587 se compunha "de moradias e defensas, capela e baluarte vigilante onde ardiam, em circunstâncias especiais, fogos sinaleiros".
Colocada em situação privilegiada, a famosa base militar da Torre, guarnecia os caminhos que conduziam ao Nordeste, enquanto servia de atalaia ao tráfego marítimo, fiscalizando o movimento de embarcações que demandavam ao porto da Bahia, através de interessante semáforo, que teve destacada importância nos tempos das invasões holandesas, até que, em 1668, resolvera o Governo Geral estabelecer, oficialmente, aquele sistema de avisos entre as povoações litorâneas. |
O então Morgado da Torre, Garcia d'Ávila 2o, encarregou-se dele, combinando os fachos (almenaras) de sinalização de seu baluarte, com um segundo facho na aldeia jesuítica de São João - hoje Jacuípe, o terceiro na aldeia do Espírito Santo - hoje Vila Abrantes, o quarto em Itapoã e o quinto em Rio Vermelho, já visível da fortaleza de Santo Antônio da Barra, sendo a capital avisada da aproximação de navios, invasores e piratas.
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Telecomunicações - o nome já diz, quer dizer comunicações à distância: tele (do grego têle = ao longe) + comunicações.
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O Castelo da Torre - Monumento Nacional |
No Nordeste do Brasil, litoral norte do Estado da Bahia, encontram-se as imponentes Ruínas do Castelo da Torre de Garcia d'Ávila, principal sede do Morgado da Torre, também conhecido como Castelo Garcia d'Ávila, Torre de Garcia d'Ávila, Solar da Torre, ou Torre de Tatuapara ou ainda chamado de Casa da Torre.
Fica localizado no município de Mata de São João, em Praia do Forte, distante 80 km ao norte de Salvador, e 55 km do Aeroporto Deputado Luís Eduardo Magalhães, seguindo-se pela recém construída Linha Verde - a Estrada Ecológica - numa região conhecida hoje por Costa dos Coqueiros. O Castelo da Torre de Garcia d'Ávila integra um conjunto residencial-militar, compreendido pelo próprio Castelo, com sua Torre e seus anexos: o Forte Garcia d'Ávila, o Porto do Açu da Torre e sua Ambiência, formada esta pelas áreas adjacentes, delimitadas pelo tombamento (1938) e sua extensão posterior (1977). |
Exemplar único de Castelo em estilo medieval construído na América, conforme Borges de Barros, foi a sede do maior latifúndio do mundo, dentro de uma área equivalente a 1/10 do território brasileiro, o que equivale às áreas de Portugal, Espanha, Holanda, Itália e Suíça, somadas.
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O Castelo da Torre foi a principal sede da Casa da Torre de Garcia d'Ávila, onde se sucederam dez gerações, por três séculos. Sua história está registrada na conquista e no povoamento dos sertões do Nordeste do Brasil, participando da defesa da terra e da expulsão de piratas e invasores estrangeiros, assim como das lutas, havidas na Bahia, pela Independência e constituição do Império do Brasil.
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A Casa da Torre nas Lutas pela Independência do Brasil, na Bahia
AFFONSO D'E TAUNAY, em sua obra Grandes Vultos da Independência Brasileira, publicação comemorativa do Primeiro Centenário da Independência Nacional - S. Paulo (Editora Melhoramentos de S. Paulo, 1922, pp 153-159), assim inicia o registro da participação da Casa da Torre, nas lutas pela Independência, na Bahia:
"Conhecem todos os que estudam a história do Brasil, com alguma pormenorização, o papel notável que à chamada Casa da Torre coube no desbravamento dos sertões do nordeste e na repulsa dos invasores estrangeiros.
Entre estes grandes feudatários devassadores do Piauhy, Maranhão, citam-se sobretudo, além do fundador Garcia de Avila, contemporâneo de Tomé de Sousa, os nomes de Francisco Dias de Avila e Garcia de Avila Pereira. Em fins do século XVIII extinguia-se esta ilustre estripe com o Mestre de Campo Garcia de Avila Pereira de Aragão, cujos vastos bens passaram à sua sobrinha Anna Maria de São José de Aragão, casada com José Pires de Carvalho e Albuquerque, alcaide mór de Maragogipe e depois Capitão Mór da Bahia e Secretário de Estado do Governo do Brasil.
Quando, em 1798, na Bahia ocorreu a conspiração, cujo desfecho se passou nos patíbulos do Campo da Pólvora, prestou José Pires de Carvalho e Albuquerque relevantes serviços ao governo.
Feliz casal, o do Secretário de Estado do Governo do Brasil e de D. Anna Maria de São José e Aragão! Três varões ilustres dele provieram: Joaquim, Antônio Joaquim e Francisco Elesbão Pires de Carvalho e Albuquerque:
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Outro finalmente, o primogênito, que lhe havia de suceder, como sucedeu, nos bens e títulos da Casa - o Coronel Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, Barão e depois Visconde da Torre de Garcia d'Ávila, seguiu para o seu Castelo, onde organizou e de onde comandou a base de operações do exercito libertador, renovando os relevantíssimos serviços que na invasão holandesa prestara seu avô Francisco de Avila ... . " |